Redes Sociais
Entrevista concedida pela Dra. Patrícia Peck Pinheiro, à UniBB, sobre segurança em Redes Sociais.

1. Segundo pesquisa realizada em abril de 2010, o Brasil é líder no uso de redes sociais: 86% dos brasileiros conectados à internet transitam por elas. No entanto, nem todos sentem-se seguros sobre como se portar nas redes ou quais os limites a serem respeitados. Que dicas você pode dar nesse sentido, tanto no âmbito pessoal como profissional? [Pesquisa sobre o uso de redes sociais: http://blog.nielsen.com/nielsenwire/online_mobile/social-media-accounts-for-22-percent-of-time-online]

Patricia Peck: A principal dica sobre postura em rede social envolve a pessoa sempre refletir sobre a “perpetuidade do conteúdo ali colocado” assim como “contexto” e “conexões”, com quem estamos nos conectando também influencia quem somos e a imagem que queremos transmitir de nós mesmos, vivemos a era do “diga-me com quem navegas, segues, teclas, que te direi quem és. Havendo esta preocupação, esta diligência, grande parte dos problemas são evitados. Hoje temos redes sociais, amanhã outra coisa, a moda passa, mas o conteúdo fica. Por isso, agir com ética, não usar palavras de baixo nível, não ofender outras pessoas, ter atenção para evitar vazar informações de trabalho mesmo que sem querer, pois comentários da rotina podem gerar vazamento, e evitar expor demasiadamente a si próprio e a família até para evitar atrair criminosos (sequestro, assalto, outros).

2. Muitos de nós conhecemos casos de "saias-justas" causados por um email enviado por engano. Que cuidados devemos tomar no uso com essa ferramenta?

Patricia Peck: O email é um documento escrito, que gera prova jurídica na Justiça inclusive. Além disso, o computador não tem contexto, ou seja, quando alguém manda um email para a pessoa errada e é perguntado à testemunha-maquina o que acontenceu, ela vai dizer: “mandou” ou “não mandou”, nunca o computador vai dizer “mas foi sem querer”. Por isso o email deve ser usado com bastante atenção e responsabilidade, tem que verificar o destinatário, escrever de forma objetiva, evitar palavras que gerem duplo sentido, afinal, depois de enviado não se sabe onde o mesmo vai parar, quem vai ler, ter acesso (ele pode ser repassado a outras pessoas). No ambiente de trabalho deve-se ter redação corporativa de email, isso significa por exemplo, assinar sempre enviando abraços e não “beijos”, este contexto íntimo foge do que seria adequado em termos profissionais, por mais que se queira “humanizar” a relação que está cada vez mais virtual, uma coisa é comunicação pessoal, particular, outra coisa é comunicação corporativa e profissional.

3. Quem está ativo nas redes sociais sabe: as pessoas ficam muito valentes por trás do computador. Como defender-se (ou não tornar-se) um troll? [O que é um troll? http://pt.wikipedia.org/wiki/Troll_%28internet%29]

Patricia Peck: O usuário tem que lembrar que existe uma regra jurídica fundamental que é “não fazer justiça com o próprio mouse”, ou seja, hoje estamos munidos com novas “armas”, que podem ser usadas para o bem (construtivo) ou para o mal (destrutivo). Por isso, o recomendável é não retalhar, para não piorar, até porque nem sempre a palavra escrita literal consegue traduzir tudo o que está acontecendo. Quando houver um problema maior, deve ser levado para um canal de solução específico, seja uma denúncia a autoridade ou mesmo uma ação judicial.

4. Empresas e gestores não podem evitar que seus colaboradores estejam nas redes sociais. Como proceder para evitar riscos à imagem por conduta inadequada? Que cuidados o funcionário deve ter em seus perfis particulares?

Patricia Peck: A principal medida que uma empresa pode tomar é assumir que as redes sociais vieram para ficar e que ela precisa liderar o processo de educação dos seus funcionários sobre o uso ético, seguro e legal desta nova ferramenta, seja no âmbito profissional ou pessoal, pois por mais que ela não libere o acesso de dentro da empresa, as pessoas estão nas redes sociais e hoje, cada vez mais, é difícil distinguir a imagem da pessoa da própria imagem da empresa, uma coisa impacta a outra. Recomendo a elaboração de um Manual de Conduta em Redes Sociais, sua publicação e distribuição interna, bem como a realização de um curso (seja palestra, treinamento, workshop ou mesmo EAD) para instrução dos times de colaboradores em geral (inclusive parceiros, terceirizados, fornecedores). A empresa deve se preocupar em ensinar sobre isso top-down, de cima para baixo, pois o exemplo tem que ser dado pelos gestores e um comentário do mesmo em redes sociais pode gerar efeitos muito maiores do que de outras pessoas. Um líder bem treinado ensina o time e assim pode-se tomar proveito de tudo de bom que a inovação tecnológica está trazendo sem isso gerar riscos jurídicos, financeiros ou reputacionais.

A Dra. Patrícia Peck Pinheiro é Advogada, especialista em Direito Digital.
 
 pxl1web00008_www-externo-2
© Banco do Brasil
Central de Atendimento BB - 4004 0001 / 0800 729 0001 SAC BB - 0800 729 0722 Ouvidoria - 0800 729 5678 Deficientes auditivos/fala - 0800 729 0088 Segurança
 

Carregando ...